COLÉGIO PEDRO II - UNIDADE SÃO CRISTÓVÃO III
História - 2008 – 1ª Série do Ensino Médio
Coord. Prof. Paulo Seabra - Prof:. Albano Teixeira
ÁFRICA - SÉCULOS XIII, XIV E XV
(...) No oeste, o império Mali (ocuparia hoje em dia, mais ou menos, os atuais países da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali) exerceu o controle parcial do Rio Níger e das importantes cidades comerciais ali localizadas. (...) Entretanto, no século XV, a exploração de novas fontes de ouro em Akan (atualmente Gana) ocasionou a reorganização das rotas comerciais para o leste e Mali foi substituído por Songhai( aproximadamente os atuais Mali e Alto Volta). Ao mesmo tempo, e centralizado no lago Chad, nasceu o poderoso estado de Bornu, que incorporou o antigo reino de Kanem (juntos ocupariam atualmente o Chade).
A construção de espetaculares mesquitas, feitas de tijolos de barro, nas principais cidades desses Estados da savana, como as de Jenne e Tombuctu, ilustra a difusão do Islão entre as classes reinantes e dos comerciantes nos séculos XIII e XIV.
Próximo ao fim da Idade Média, enquanto a Europa Ocidental experimentava uma decadência após os estragos da Peste negra e da Guerra dos Cem Anos, os reinos negros do Sudão Ocidental e Central estavam no seu apogeu. Vários reis africanos – Mansa Musa e Sonni Ali, para citar somente dois – eram famosos em todo o Islão e o mundo cristão, devido à sua riqueza, brilho e às criações artísticas dos seus súditos. Ao lado das mesquitas erguiam-se universidades (em Tombuctu e Jenne, por exemplo) que atraíam eruditos e poetas de todas as partes.
Mais ao sul, também ocorreram progressos espetaculares nos séculos XIII, XIV e XV. (...) Fica claro que nasceram vários Estados poderosos cujas riquezas estavam baseadas no ouro de Akan e numa variedade de outros produtos essenciais, noz-de-cola, marfim e escravos. (...) No mesmo Akan, existiam vários Estados pequenos e sabe-se que as cidades de Bono Manso e Begho foram importantes centros políticos. Begho, entre 1400 e 1750, era uma cidade mercado que atuava como centro de coleta de ouro e mantinha estreitos vínculos com o Império Mali, principalmente com a grande cidade comercial de Jenne. (...) No início eram utilizadas as unidades islâmicas de peso na corte do rei Begho, (...) Contudo, ao redor de 1500, os pesos islâmicos foram substituídos pelo padrão europeu, introduzido, pelos mercadores portugueses. (...) A chegada de navios portugueses no litoral africano ocidental transtornou seriamente o comércio tradicional transaariano quando abriu importantes e novos mercados de exportação ao sul.
Na Nigéria, o reino meridional mais importante desse período foi Benin. Fundado no século XI ou XII, estava centralizado na grande cidade de Benin, onde o oba, que era o chefe político e religioso, morava com sua corte. A economia de Benin baseava-se no comercio, principalmente de escravos, primeiro com os reinos da savana do norte e em seguida com os europeus pelo litoral.”
( ATLAS DA HISTÓRIA UNIVERSAL – The Times. O Globo, p. 148 – 9,1995
De qualquer maneira, na África as relações escravistas eram muito variáveis. As situações diferenciadas iam desde a dos escravos que serviam nas casas dos governantes, com as possibilidades de obtenção de promoções e privilégios; passando pelos escravos militares, que podiam desejar a ter seus próprios escravos; pelos escravos que compunham núcleos de famílias camponesas; até a pior situação que era a dos escravos confinados nas fazendas localizadas na vizinhança de alguma residência real. Estes tipos de fazenda parecem ter existido no Império de Mali (séc. XIII e XIV) e no de Songhay que o sucedeu
Outras diferenças eram produzidas a partir das gerações. A maior carga de exploração e castigos recaía sobre a primeira geração escrava, como trabalhar em minas e carregamento de mercadorias. Com o transcorrer das gerações, na prática, adotavam a maioria dos direitos da população livre ( o direito de ir e vir, praticar comércio, acumular propriedades etc.) porém persistia uma situação diferenciada que era evidenciada na proibição de casamento com mulheres livres e a participação em assuntos políticos e judiciais. Vale destacar que a instituição da alforria estava presente no islamismo e era praticado no Norte da África).
Na África Banto Ocidental, o Reino do Congo e seus vizinhos certamente conheceram o regime da escravidão antes dos primeiros contatos com europeus. O Reino do Congo era um estado de conquista formado por colonos de língua congo que dominavam uma parte do povo Mpundu.
Mas o crescimento mais dramático sem dúvida foi o do tráfico atlântico ( para a América ) a partir de meados do séc. XV, em função do volume de escravos alcançado, que acabou superando o volume do tráfico feito através do Saara e o para o Oriente.”
6 – Esse tipo de crítica referia-se a que característica da Igreja Católica no período da Reforma?
A REFORMA PROTESTANTE E A CONTRA - REFORMA CATÓLICA ( séc. XVI)
O comportamento incorreto dos sacerdotes, bispos e até papas, a venda de cargos eclesiásticos e de indulgências pela Igreja romana levaram à sua desmoralização. Os reis, por sua vez, viam no poder da igreja um obstáculo à centralização total do poder em suas mãos. A condenação da prática da usura (empréstimos a juros) e da obtenção do lucro colocou a camada burguesa da sociedade européia em oposição à Igreja.
Apesar de John Wyclif (inglês) e John Huss (checo) proporem algumas mudanças à Igreja, o rompimento da unidade cristã foi inevitável, dando origem ao protestantismo.
O movimento reformista teve início em 1517, quando o religioso alemão Martinho Lutero publicou suas 95 teses contra a Igreja. Lutero estava revoltado com a desmoralização da Igreja e havia se rebelado contra o dominicano João Tetzel, que estava responsável pela venda de indulgências para financiar a construção da Basílica de São Pedro.
Em 1520, Leão X ordenou a sua retratação, sob pena de ser considerado um herege. Lutero queimou em praça pública a ordem papal, sendo excomungado.
A doutrina luterana propunha a simplificação do culto e afirmava que somente a fé é capaz de levar o homem à salvação. Negava a existência dos sete sacramentos, mantendo apenas dois: o batismo e a eucaristia. Não aceitavam o culto à Virgem e aos santos e negavam a existência do purgatório. Adotavam a língua nacional para o culto ao invés do latim e aboliram o celibato (proibição de união ou casamento) dos sacerdotes.
As idéias luteranas espalharam-se rapidamente pela Alemanha. Nobres e camponeses apoiaram Lutero. Os nobres com o interesse sobre as terras da Igreja e no questionamento a autoridade do imperador Carlos V, que era católico e apoiado pelo Papa. Os camponeses desejando escapar da situação de miséria em que viviam.
Parte desses camponeses, conhecidos como anabatistas e comandados por um seguidor de Lutero, chamado Thomas Muntzer, reivindicavam a divisão das terras da Igreja entre os mais pobres. Foram violentamente atacados por Lutero, que passou a apoiar os nobres, os quais organizaram um exército para derrotar os anabatistas, o que conseguiram em 1536.
Somente em 1555 os príncipes alemães ganharam o direito de escolher a religião que desejavam em suas terras, confirmando o triunfo do luteranismo na Alemanha. Essa decisão foi alcançada graças a um acordo assinado entre o imperador católico e os príncipes protestantes, que foi chamado a Paz de Augsburgo.
O francês João Calvino aprofundou a doutrina luterana, afirmando a idéia da predestinação (destino determinado por Deus) e apontando que o sucesso econômico era uma revelação da salvação eterna. Os pastores (ministros do culto) não eram tidos como intermediários entre Deus e os homens, mas simples fiéis, encarregados da pregação e das preces. O calvinismo foi rapidamente aceito por grupos da burguesia por mostrar-se uma doutrina mais próxima dos seus interesses.
As idéias de Calvino logo se espalharam por várias regiões da Europa e fizeram seguidores, além da Suíça, na França, onde eram chamados de huguenotes; na Inglaterra, com o nome de puritanos; na Escócia, como presbiterianos; além da Holanda e Dinamarca.
Na Inglaterra, Henrique VIII rompeu com o papa., baixando o Ato de Supremacia, o que o transformou no chefe da Igreja nacional, chamada anglicana, que só foi consolidada com o governo de sua filha, Elizabete I.
Através do Ato de Supremacia, Henrique VIII pode tomar os mosteiros católicos, incorporar os bens da igreja e divorciar de sua mulher, Catarina de Aragão, que não lhe dera um herdeiro para a Coroa.
A igreja Anglicana manteve muito da hierarquia e do ritual católicos, porém adotou muitos princípios do calvinismo e a adoção do inglês no culto.
A Reforma espalhou-se pela Europa e despertou a reação dos católicos, que deram início à Contra-Reforma.
A criação da Companhia de Jesus, a realização do Concílio de Trento, o fortalecimento da Inquisição e a elaboração do Índex (lista de livros proibidos) constituíram os principais feitos da Igreja romana para combater os protestantes, ao mesmo tempo que resultaram em medidas reformuladoras da Igreja católica.
O Concílio de Trento reafirmou os dogmas e os preceitos do catolicismo, tais como: o livre-arbítrio ( a salvação decorre da combinação da fé com as boas obras do indivíduo); o culto à Virgem e aos santos; a infalibilidade do papa. Proibiu-se a venda de indulgências e determinou-se a criação de seminários, para a melhor formação dos padres; a proibição de venda de cargos religiosos; a criação do catecismo e do missal.
O IMPACTO DAS ALTERAÇÕES NA SOCIEDADE FEUDAL
O mundo rural (a sociedade feudal era fundamentalmente rural) sofreu um impacto de profundas repercussões econômicas, sociais e mentais. A possibilidade de o servo deter um expressivo excedente e poder trocá-lo, chegando até a acumular algumas reservas; a pressão demográfica sobre os mansi (faixas de terra entregues aos camponeses), que pode provocar a emigração de parte da família camponesa; a comunidade aldeã, que, mais numerosa, pode tornar-se mais associativa e mais reivindicativa; a adoção de novas técnicas, bem como a descoberta e uso de novos materiais, tudo isso reflete sobre a mentalidade do homem do campo.
O período que vai do século XI ao século XIII é de crescimento comercial e urbano. O mar Mediterrâneo quase se torna um lago italiano; dos mares Negro e Egeu até o Gibraltar, os barcos mercantes atingem os mais remotos pontos.
Essas cidades e esse comércio não são estranhos à sociedade feudal. Nascem a partir do desenvolvimento das forças produtivas desse modo de produção; porém, à medida que transpuserem certos limites, agirão como solventes, se o feudalismo não estiver suficientemente sólido para resistir a esse impacto.
O aumento populacional esbarra, já partir do século XII, em um desnível entre a demanda (procura) e a oferta de alimentos. Os preços elevam-se, e produtividade decai.
A classe dominante, mobilizando-se para expedições militares (como as Cruzadas), aumentando seu consumo de artigos orientais ou das crescentes manufaturas burguesas e subenfeudando (distribuindo a outros nobres) suas terras, era obrigada a elevar as exigências sobre seu campesinato.
Para agravar mais esses problemas, nos séculos XII e XIII o aumento demográfico trouxe como conseqüência, para algumas regiões, o fracionamento do mansus ou a colocação de duas ou três famílias para explorar o mesmo mansus.
Além das revoltas, a reação do campesinato foi a fuga dos campos. Preferiram engrossar grupos de banidos ou ser vagabundos errantes a ter que se sujeitar à superexploração. Muitos dirigem-se às cidades, ampliando o número de seus habitantes.
A reação da nobreza senhorial não foi uniforme. Em algumas regiões agiram violentamente, perseguindo e capturando os servos fugidos ou reforçando os laços de servidão. Em outras, atenuaram as exigências sobre os servos e, inclusive, substituíram essa relação por contratos individuais ou coletivos, nos quais as partes chegavam a um acordo quanto às obrigações devidas.
O que se conclui é que, em nível econômico, o feudalismo entrara em processo de alterações substanciais. Mesmo a manutenção da servidão, em algumas regiões, só era possível mediante o uso da violência ou de artifícios jurídicos.
Nos séculos XIV e XV, a crise geral do feudalismo daria início ao processo de transição ao capitalismo.
A crise geral
A população não cessava de aumentar, mas a produção de alimentos não acompanhava esse crescimento na mesma proporção.
Ao lado dessa produção decrescente, o aumento das exigências senhoriais fazia com que aos camponeses pouco restasse para satisfazer suas necessidades básicas. A subnutrição era uma constante e o fantasma da fome rondava a Europa.
A partir de 1315-1317, atingida pela conjugação de fome e doenças, a população européia perece. Só na grande peste de 1347-1351 morreram cerca de 25 milhões de pessoas, para um total aproximado de 80 milhões. Os campos foram ficando despovoados. O mato voltou a ocupar o que antes eram terras de cultivo.
A queda brusca da população fez decrescer o preço dos gêneros alimentícios, enquanto, por força da ação das corporações, os preços dos manufaturados urbanos foram mantidos artificialmente elevados. Nas regiões onde ocorreu a escassez de grãos, os mercadores burgueses especulavam com os preços: vendiam a preços elevados o que compravam em áreas produtoras distantes.
Tal quadro de crise leva a ocorrência da transferência de bens e valores da nobreza para a burguesia, ao desfazerem-se de parte de suas terras, cujo valor havia decrescido, ou de suas jóias, as quais vendiam à burguesia.
A destruição de parte das forças produtivas feudais, a maior dependência da nobreza frente à burguesia (não só adquirindo artigos, mas contraindo empréstimos e vendendo ou hipotecando seus bens) e o reforço da servidão (a ponto da exaustão da força de trabalho) dão-nos, parcialmente, o retrato da crise do feudalismo.
A convivência de dois “organismos”: diversos – campo e cidade – e a crise fariam com que a recuperação da economia européia beneficiasse os setores rurais e urbanos mais identificados com as formas de produção burguesa.
A Itália foi o berço do Renascimento. Isso se deu devido ao desenvolvimento comercial e conseqüente enriquecimento experimentado por aquela região a partir da Baixa Idade Média (XII a XV). Além disso, a Itália foi o local onde o Classicismo (a herança cultural e artística dos gregos e romanos) desapareceu por último, conservando ainda muitas das obras em que se inspirariam os artistas e pensadores renascentistas.
Esse movimento buscava inspiração na Antigüidade Clássica (civilizações grega e romana), procurando assim negar os valores medievais não apropriados com a nova realidade existente na Europa. Para isso o desenvolvimento dos estudos humanistas (busca em compreender a ação humana e em se melhorar como pessoa, a procura pela “habilidade perfeita do homem”, a pesquisa de textos clássicos na busca sua exatidão, a crença na capacidade de melhoria do ser humano através de uma educação e preparação adequadas) em muito contribuiu para construir essa nova forma de expressão artística.
O desenvolvimento comercial e urbano refletiu no desenvolvimento de um sentimento cívico, de orgulho da identidade e riqueza das cidades. Por outro lado, a burguesia enriquecida nesse período, e diversos membros da elite urbana buscavam, ao patrocinar artistas, intelectuais e cientistas (mecenato), valorizar as novas idéias e conquistar prestígio social . o mesmo se dava com relação aos reis que há pouco haviam conseguido estabelecer a centralização política de seus reinos.
Finalmente, o longo contato com o Império Bizantino, herdeiro da tradição e da cultura greco-romana, que ocupou várias regiões da Itália por vários séculos, permitiu o recebimento de influências culturais , que foram mais reforçadas ainda quando da decadência do mesmo e sua queda para os turcos otomanos, pois muitos sábios que lá viviam fugiram para as cidades italianas, levando consigo o pensamento e textos greco-romanos que haviam conservado e desenvolvido.
A cultura do Renascimento tinha como principal característica a negação da ordem medieval, por mais que ela fosse resultante de um longo processo de desenvolvimento artístico e cultural iniciado naquele período. Nesse sentido, o antropocentrismo (o homem como o centro das atenções), o racionalismo, o individualismo aparecem nas obras desse período. Além do mais, são valores marcadamente urbanos, contribuindo, dessa forma, para a afirmação da ideologia (sistema de idéias) burguesa em formação.
Além desses valores, ainda haviam o do otimismo, reflexo da época de conquistas e desenvolvimento que a sociedade européia estava vivendo; do neoplatonismo, que defendia uma unidade essencial entre o mundo material e espiritual com a possibilidade de elevação do homem através de suas ações e da busca de conhecimento até a perfeição espiritual. Havia ainda o hedonismo, o naturalismo e, também, o ideal do centralismo político, presente em obras literárias dessa período, que defendia que só a partir de um governo forte, empreendedor, é que o desenvolvimento econômico poderia se realizar.
Como resultado desses princípios o Renascimento buscou inspiração nos modelos greco-romanos, na valorização da anatomia humana (exposição de corpos nus e seminus, estudos anatômicos), na busca do equilíbrio, da harmonia e da simetria nas construções e obras, no uso da perspectiva e o desenvolvimento das línguas nacionais.
A partir da Itália, o pensamento renascentista espalhou-se para as demais nações européias, particularmente para aquelas que viviam em acentuado processo de desenvolvimento econômico graças à expansão marítima do séc. XV.
O Renascimento entrou em decadência na Itália quando se espalhava pelos demais países europeus. Essa coincidência se deve fundamentalmente à queda econômica das cidades italianas após a expansão marítima portuguesa e espanhola e da Contra-Reforma, que perseguiu violentamente todos os que se opunham aos dogmas e determinações da Igreja católica, chegando a executar alguns humanistas.
Os principais nomes do Renascimento europeu são: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Copérnico, Rafael, Miguel de Cervantes, Luís de Camões, Shakespeare, Maquiavel, entre outros.
TRABALHANDO COM TEXTOS: SOCIEDADES AMERÍNDIAS
“Da dispersão em cidades-Estados independentes e rivais que caracterizou o México central depois da queda do império tolteca, emergiu finalmente (...) a hegemonia de uma delas. Tecnochtitlan, a cidade dos mexicas ou astecas, fundada numa ilha do lago de Texcoco, no Vale do México, em 1325 a . D., (...0 sua posição consolidou com o rei Montezuma I (1440 – 1469 ª D.), cujas conquistas abriram a fase do predomínio asteca, que continuava a se estender sob Montezuma II quando chegaram os espanhóis em 1519. Nesta data, o chamado ‘império’ asteca – na verdade um mosaico de alianças, confederações, relações tributárias, implicando povos numerosos, heterogêneos e imperfeitamente submetidos – era um bloco complexo, pouco coerente e descontínuo (...).
A unidade social básica dos astecas ou mexicas era o calpulli, comunidade residencial com direitos comuns sobre a terra e uma organização interna de tipo administrativo, judiciário, militar e fiscal. Sua interpretação como um clã foi usual no passado, mas não parece correta. (...) No nível político, porém, até o fim o rei (Huey Tlatoani) tinha direitos e funções que oscilavam entre os de um chefe tribal e os de um chefe de Estado, sendo o cargo eletivo numa mesma família.
No apogeu do império , a sociedade asteca era complexa e muito estratificada, com uma nobreza crescentemente hereditária ( tlatoque ), uma nobreza de função de origem militar ( tecuhtli ), comerciantes especializados residentes em Tlatelolco ( pochtecas ou oztomecas ), formando uma corporação especial, artesãos reunidos em organizações profissionais, diversas categorias populares urbanas e rurais, servidores que os espanhóis consideravam ‘escravos’, etc.
As plantas cultivadas eram numerosas, mas a base da alimentação eram o milho, o feijão e a pimenta. Como animais domésticos, havia o peru e o cão; (...) As produções do vale do México se complementavam pelo comércio com as zonas tropicais. A tecnologia agrária, a não ser pela irrigação (canais, chinampas ou ‘ilhas flutuantes’) era primitiva: como no caso dos maias, predominavam os instrumentos de pedra e madeira e a metalurgia teve pouca aplicação prática.”
(CARDOSO , Ciro Flamarion S. América pré-colombiana. São Paulo, Brasiliense, 1981, pp. 76 – 78)
(...) Os valses andinos são estreitos, e os terrenos planos pouco extensos, de modo que a construção de terraços para cultivo e a irrigação por meio de canais (às vezes cortados na pedra) tiveram sob os incas grande desenvolvimento. (...) A base da alimentação eram quatro plantas: a batata, o milho, a quinoa e a oca. 9...) O lhama, além de transporte e lã, fornecia couro e carne, seca ao sol (charque).
(...) o império inca era somente uma espécie de enorme confederação de confederações, organizando em escala nunca vista nos Andes tais operações (prestações de trabalho e redistribuições) e exigindo trabalho nas terras do Inca e do Sol. (...) Nestas condições, o comércio não podia ter grande desenvolvimento, pois a circulação dos bens realizava-se de outra maneira.”
(CARDOSO , Ciro Flamarion S. América pré-colombiana. São Paulo, Brasiliense, 1981, pp. 98 – 101)
(AQUINO, Rubim Santos Leão de. História das sociedades americanas. Rio de Janeiro, Liv. Eu e Você, 1981. Pp. 36 – 37)
TRABALHANDO COM TEXTOS Estado Moderno (XIV – XVIII)
No século XIV, torna-se evidente em todos os países da Europa Ocidental que o regime feudal tinha deixado de ser favorável ao desenvolvimento das forças produtivas. Nem a extensão, nem a intensificação da agricultura podem fazer frente ao aumento da população. Os arroteamentos detêm-se, as terras esgotam-se . Fomes terríveis, seguidas de epidemias, afetando sobretudo os mais pobres, sucedem-se com um ritmo bastante rápido. (...) A constituição, por cima da estrutura política feudal, dos primeiros Estados Nacionais provoca guerras terríveis (Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra). Destruições que vão acompanhadas de grandes levantes camponeses (...) Esses fenômenos são bastante gerais (...) em muitos casos são concomitantes. Não são, então circunstâncias locais, mas uma crise de conjunto que os provoca.”
(PARAIN, Charles. Evolução do Sistema Feudal Europeu. In: SANTIAGO, Theo. Capitalismo/Transição. Rio de Janeiro, Eldorado, 1974, pp. 29-33)
( adaptado de CÁCERES, Florival; In História Geral. Editora Moderna, p. 197, 1996)
(ANDERSON, Perry. Classes e Estados: problemas de Periodização. In: HESPANHA, Antônio Manuel. Poder e Instituições na Europa do Antigo Regime. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984, p. 133)
( BOSSUET, Jacques-Bénigne. Política Tirada da Sagrada Escritura. In: FREITAS, Gustavo de. 900 Textos e Documentos de História. Lisboa. Plátano Editora. S/d. p. 201 )
A terra: procura de terras, para a cana-de-açúcar, móbil burguês, para as ilhas atlânticas; procura de terra em prolongamento da Conquista em Marrocos, móbil aristocrático; procura de um abastecimento de trigo em Marrocos, móbil burguês, móbil princispesco, móbil de Estado.
O ouro: procura apaixonada do ouro, móbil de todos, resposta coletiva a um insuportável desafio que ameaçava desmantelar tudo desde o interior.
Curiosidade ainda, sede de conhecimentos senão de ciência e, progressivamente, com a aventura em marcha, outros motivos mais distantes e mais nobres.
Motivo de cruzada, (...) ao mesmo tempo em que nos meados do século surgia a esperança, com os progressos fundamentais do armamento e da navegação, contra a dura lição da experiência, a esperança e depois a certeza da ligação direta com as índias, a rota cristã das especiarias.
Mas esta segunda etapa pertence à segunda metade do século XV, quando a Península Ibérica reagiu com uma sensibilidade excepcional à angústia coletiva nascida das profundezas, com as notícias inquietantes e confusas dos progressos no leste, na Anatólia e nos Balcãs, da jovem e intransigente potência otomana.”
Coube ao século XIII o mérito da difusão da bússola no Ocidente. ‘A bússola de agulha imantada é conhecida na China, no fim do século XI (1089-1093)’. De início, foi um instrumento de uso religioso. Uma primeira utilização com o fim de navegação foi atestada em 1122. ‘Nos século XII e XIII, se uso se generaliza nos mares da Ásia oriental e meridional. Os árabes a conheceram em 1242.’ Foi usada pela primeira vez na Europa em torno de 1190.”
(...) Quanto ao astrolábio, este maravilhoso instrumento conhecido desde o século XII ao menos pela ciência universitária, quase não foi empregado pelos marinheiros (e não o foi necessariamente no mar) antes do século XV. Todo este material intelectual da descoberta foi o produto da fantástica mudança intelectual da confluência dos séculos XII e XIII.”
(CHAUNU, Pierre. Expansão européia do século XIII ao XV. São Paulo, Pioneira, 1978, p. 70-71,89, 220 e235)
(ARNOLD, David. A Época dos Descobrimentos. Lisboa, Gradiva, s/d, pg. 76)
TRABALHANDO COM TEXTOS: Reformas Religiosas (XVI)
(Martinho Lutero. Citado por: LUIZETTO, Flávio. Reformas religiosas. São Paulo, Contexto, 1985, pp. 36 e 40)
No que se refere às práticas espúrias da idade Média, como a comercialização das indulgências que provocara a ira de Martinho Lutero, a Igreja da Contra-Reforma voltou-lhes firmemente as costas. Essas práticas eram mecânicas, isto é, baseavam-se num cumprimento formal dos ritos e rotinas para a santificação e salvação de cada pessoa. (...)
Assim, a Contra-Reforma foi um movimento religioso que afetou a história cultural e política da Europa do início da idade moderna e foi por ela afetado.
(MULLETT, Michael. A Contra-Reforma. Lisboa, Gradiva, s/d., pp. 65-6)
TRABALHANDO COM TEXTOS: Renascimento (XIV – XVI)
(adaptado PERRY, Marvin. Civilização ocidental - uma história concisa. São Paulo, Martins Fontes, 1981. p. 271)
(Carta de Leonardo da Vinci a Ludovico Sforza, século XV)
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Galera, eu tive que editar e dar uma alterada na fonte. Mas não mudei o conteúdo. É texto pra caramba e se ficar meio bagunçado aí nas folhas de vocês, podem me dar esporro ._.
Eu ainda não imprimi o meu, não sei como vai ficar, mas espero que vocês gostem =D
Beijooos!
Boa sorte com toodos esses textos ¬¬'
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